O que é Depressão Psicótica? Conheça suas causas e sintomas

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Dr. Luan Diego
,
6 de outubro de 2020

Não é novidade para ninguém a seriedade das doenças psicóticas e do humor, uma vez que elas podem mudar drasticamente a maneira como as pessoas enxergam a si mesmas e os outros ao seu redor.

Existem ocasiões em que essa distorção é tão severa que uma doença como a depressão, que já é bem conhecida, pode desenvolver sintomas próprios de uma psicose.

Essa vertente da depressão é classificada como depressão psicótica e é um dos seus subtipos mais raros. 

Aproximadamente, apenas uma a cada quatro pessoas com entrada em um hospital devido a depressão possuem essa condição.

Nesse panorama, a psicose depressiva, outro nome usado para indicar a depressão psicótica, é  considerado uma evolução grave da depressão. 

A psicose é definida como característica que afeta a mente, fazendo com que haja perda de contato com a realidade.

Dentro da depressão, ela pode ser manifestada de diversas maneiras, como mediante a alucinações de qualquer tipo, desde delírios até dificuldade de conseguir diferenciar o que é real do que não é (como ver ou ouvir coisas que os outros não vêem ou ouvem, por exemplo).

Pelas similaridades com outras doenças, como transtorno esquizofrênico e transtorno bipolar, pode ser confundida com facilidade.

No entanto, é extremamente importante um diagnóstico correto para que seja encontrado um tratamento efetivo.

Continue a leitura do texto abaixo para conferir as principais dúvidas sobre a depressão psicótica.

O que é depressão psicótica?

mulher sentada perto da janela aparentando tristeza

Depressão psicótica é quando há um quadro de depressão junto com alguma psicose. A psicose é uma condição na qual uma pessoa começa a ver e/ou ouvir coisas que realmente não existem (alucinações) ou a experimentar ideias falsas sobre a realidade (delírios). Também pode haver pensamento desorganizado ou desordenado. 

Sendo assim, por se tratar de um subtipo da depressão,  o paciente que tenha este diagnóstico deve apresentar sintomas de depressão maior associado a psicose. 

Quais as causas da depressão psicótica?

Mulher com rosto distorcido e dividido

Apesar de a ciência ainda não ter descoberto exatamente as causas da depressão psicótica, é possível fazer uma associação em relação a pessoas que já sofreram com os sintomas da depressão.

Desse modo, os sintomas psicóticos tendem a se desenvolver depois que um indivíduo já teve diversos episódios de depressão.

Ademais, familiares das pessoas que sofrem depressão psicótica podem apresentar maior probabilidade de surgimento do mesmo quadro.

Mesmo que o fator genético influencie na vulnerabilidade biológica da condição, não é determinante para desenvolver a doença, ou seja, não é um fenômeno que será sempre hereditário. 

As causas genéticas possuem uma forte influência em relação aos desequilíbrios químicos no cérebro e ao funcionamento dos neurotransmissores.

Além do fator genético, existe alguns outros que podem ser determinantes para o aparecimento da depressão psicótica, como, por exemplo, fatores ambientais, psicológicos, desequilíbrio hormonal e o uso de drogas ou medicamentos.

Quais sintomas da depressão psicótica?

Homem sentado no chão com as mãos na cabeça gritando

De modo mais simplificado, os sintomas da depressão psicótica podem variar de acordo com as características de cada paciente.

Entretanto, em um panorama, os mais comuns são:

  • Delírios
  • Alucinações
  • Comportamento alterado
  • Mudança de sentimentos
  • Postura infantil 
  • Personalidade imprevisível
  • Sentimento constante de perseguição
  • Longo período sem realizar nenhuma atividade por iniciativa própria, como se estivesse em uma espécie de transe.

Além de sintomas de depressão maior que você poderá conferir aqui neste link

Muitas pessoas não compreendem a diferença entre delírio e alucinação e acabam usando como sinônimos, apesar de não serem.

Quando algum paciente sofre de delírios, o caso mais usual é em relação a criar histórias mirabolantes que em nada condizem com a realidade, mas ele não tem consciência disso.

Já nas alucinações é possível que surja de quaisquer aspectos dos sentidos.

Nessa perspectiva, existem diferentes tipos de alucinação que serão elucidados a seguir.

  1. Alucinações visuais

Normalmente, nesse estado, a pessoa enxerga algo que não existe. Esse tipo de alucinação pode ser vivenciada em outras situações, não apenas na depressão psicótica. Por exemplo, demência, enxaqueca, esquizofrenia e dependência química.

  1. Alucinações auditivas

Referente a percepção de sons inexistentes. Nesse caso, não precisa apenas ser vozes com comandos, pode aparecer como forma de assobio ou silvos também.

Se for por meio de vozes, elas podem ser com elogios, palavras críticas ou dizeres neutros. 

Outras doenças relacionadas com alucinações auditivas são o transtorno bipolar e a demência.

É possível sim que algumas pessoas aprendam a conviver com as vozes, mas geralmente ocorre com as elogiosas ou neutras, as negativas são casos mais raros.

  1. Alucinação olfativa

Esse tipo de alucinação envolve cheirar odores desagradáveis que não existem, tais como: vômito, urina, fezes ou fumo. 

Esta circunstância é mais conhecido no meio médico como fantosmia e é definida como a percepção de odores sem que haja estímulo, podendo ser uma capacidade muito aguçada (hiperosmia) ou uma sensação distorcida do olfato (parosmia). 

Pessoas epilépticas podem desenvolver essa alucinação.

  1. Alucinação tátil

A pessoa sente que está sendo tocada, mas não está. 

É mais associada ao abuso da substância, como a cocaína, anfetaminas e abstinência por uso de álcool. 

  1. Alucinação somática geral

Essa condição é referente a experiência de um sentimento de mutilação direta no corpo.

Todas as percepções causadas pelas alucinações são bem vívidas, as pessoas que sofrem com a depressão psicótica não conseguem se controlar e nem saber o que não é real.

Outras características do transtorno estão relacionadas a dificuldade de concentração para realizar tarefas e, inclusive, entender o que está sendo dito.

Já em relação ao cenário da tristeza, sintoma bem característico de todas as depressões, na psicótica a pessoa pode se tornar um perigo para ela mesma.

Uma vez que acontece o fenômeno conhecido por “clivagem” ou pensamento ou-tudo-ou-nada.

Essa situação é caracterizada pela impossibilidade de pensar nas qualidades positivas e negativas como partes de um todo. 

Assim, esse pensamento não permite o ato de “agir normalmente” e a pessoa não consegue o prazer de pensar nem liberdade e autonomia para elaborar novos pensamentos, como se estivesse “presa” dentro da sua mente.

O que é bem diferente da tristeza ocasional que, geralmente, acontece depois de um evento específico, mas é momentânea e logo passa.

Qual é o melhor tratamento para a depressão psicótica?

comprimidos caindo do frasco aberto

O tratamento farmacológico é o mais recomendado para a depressão psicótica.

Nesse sentido, pode ser usado um antidepressivo isoladamente, um antipsicótico isoladamente ou uma combinação entre os dois, uma vez que é preciso conter os maiores e mais problemáticos sintomas dessa condição: delírios, alucinações e melhora do humor. 

Os antidepressivos são usados para favorecer a estabilização do humor do paciente e do estado de alegria, felicidade e bem-estar.

Já os antipsicóticos permitem que o cérebro seja capaz de perceber e organizar as informações ao redor da pessoa, como quando está conversando com um grupo de amigos, familiares, assistindo filme ou em atividades sociais comuns do dia-a-dia.

Normalmente, para os casos de depressão psicótica é pedido que os pacientes fiquem em um hospital, para que possa ser observado os avanços e, também, para garantir a máxima segurança da pessoa com o quadro depressivo. 

Quando o tratamento é efetivo a recuperação do paciente pode vir, inclusive, em um prazo de poucos meses. 

Outro método pode ser usado para tratar a doença. O artigo intitulado de “Terapia cognitivo- comportamental para depressão com sintomas psicóticos: Uma revisão teórica” investigou a terapia cognitivo-comportamental (TCC) no tratamento da depressão com sintomas psicóticos

A TCC é um método que utiliza de abordagens terapêuticas para o tratamento da depressão leve e moderada, quer seja oferecida de forma independente ou em combinação com psicofármacos. 

No entanto, para a depressão psicótica, a psicoterapia só será uma alternativa eficaz caso seja acompanhada por um tratamento medicamentoso (antidepressivo e/ou antipsicótico).

A combinação entre a psicoterapia e os medicamentos promovem melhora nos níveis de ansiedade, desesperança e ideação suicida.

Além disso, a frequência e a força dos pensamentos automáticos negativos são diminuídas e isso implica uma consequência positiva no funcionamento biopsicossocial dos pacientes. 

Em outras palavras, isso significa que será analisado o conceito mais amplo que atribui causas as doenças utilizando-se de fatores biológicos (genéticos, bioquímicos), fatores psicológicos (estado de humor, de personalidade, de comportamento) e fatores sociais (culturais, familiares, socioeconômicos, médicos).

Nessa perspectiva, o trabalho do terapeuta cognitivo-comportamental, independente do quadro clínico que tenha assumido, requer a construção de uma conceituação cognitiva 

Ou seja, conforme apareçam novos dados clínicos importantes, a conceituação cognitiva será modificada e atualizada para melhorar a eficácia do tratamento, pois essa técnica assume que os problemas atuais e os fatores estressores precipitantes contribuem para o agravamento de condições psicológicas ou que tem capacidade de interferir na habilidade de resolvê-la. 

É por esse motivo que as prioridades no tratamento de pacientes com depressão psicótica são: ideação e conduta suicida, sintomas do espectro da depressão e sintomas psicóticos (delírios e alucinações).

Para isso, o estudo utilizou de algumas estratégias oriundas da terapia cognitivo-comportamental para o manejo da depressão psicótica. Observe: 

Psicoeducação

Essa técnica quando relacionada ao depressivo com sintomas psicóticos está relacionada a um modelo de tratamento que auxilia o paciente a conhecer e entender sobre a sua doença. 

O terapeuta, na psicoeducação, precisa estar presente durante todo o processo para poder explicar o modelo do qual paciente está sendo submetido e, também, para esclarecimentos de como os pensamentos produzem sentimentos, além das reações físicas e comportamentais.

Essa intervenção ajuda muito o paciente, pois se os sintomas aparecerem na terapia, o paciente saberá que reações esperar.

Agenda e prescrição de eventos prazerosos

De modo geral, essa técnica possibilita uma ativação comportamental.

Dessa forma, o tratamento objetiva restaurar a taxa de respostas contingentes ao estado positivo a um nível adequado. 

Em outras palavras, o Agendamento de Eventos Prazerosos busca melhorar a frequência, a qualidade e a quantidade das interações sociais do indivíduo com depressão psicótica.

Isso é feito por meio de treinamento de habilidades sociais e o uso da agenda diária com propostas de atividades prazerosas.

Para o terapeuta construir essa agenda de eventos prazerosos, ele pode usar de inventários prontos ou pode questionar diretamente o paciente sobre os eventos que ele julga que lhe davam prazer antes da depressão. 

É nessa hora que uma boa relação entre profissional e paciente é essencial, pois o doente precisa ter coragem e confiança no terapeuta para conseguir contar a verdade para ele.

Uma vez descoberto esses “estímulos positivos” para a agenda, o terapeuta irá trabalhar com o intuito de auxiliar o paciente a elaborar um registro diário sobre as atividades que gostava e fazia ou que não gostava.

Esse reconhecimento é muito importante, pois depois que essas atividades são reconhecidas e determinadas como prazerosas pelas pessoas com depressão psicótica, geralmente, o humor delas muda, assim como a disposição e o sentimento de “vitória”. O paciente depressivo, normalmente, apresenta crenças de que não será capaz de terminar tarefa alguma

Registro de pensamentos disfuncionais

A técnica do registro de pensamentos disfuncionais consiste em treinar o paciente depressivo a anotar sobre todos os pensamentos disfuncionais.

Com isso é possível identificar os pensamentos automáticos e crenças disfuncionais dos pacientes, logo auxilia com sintomas psicóticos e depressivos de cada paciente.

Normalização

Esse método é usado para entender o que forma e mantém os sintomas psicóticos.

Sendo assim, a normalização faz uma associação entre o conteúdo delirante ou alucinatório e a história de vida do paciente, para assim compreender a vulnerabilidade do paciente e, consequentemente, poder ajudá-lo a promover mudanças ou desenvolver um processo de adaptação.

Enfrentamento 

Esse procedimento baseia-se na premissa de que as alucinações e delírios ocorrem em um contexto social e subjetivo, e que esses sintomas assumem significado caso sejam acompanhados por uma reação emocional.

Nesse panorama, muitos pacientes com depressão psicótica estão inseridos em uma situação de estresse constante e não conseguem mobilizar esforços saudáveis para lidar com as emoções geradas nesses momentos, uma vez que não tem controle nem da própria realidade ao redor deles.

Sendo assim, a estratégia de enfrentamento oferece uma possibilidade de mudança para diminuir a sobrecarga. 

Módulos

Esse método possibilita a reestruturação das crenças disfuncionais, relacionadas aos sintomas psicóticos.

Assim, é preciso incentivar o paciente a construir novas crenças mais funcionais para poder ativá-las futuramente, e logo ser capaz de se enxergar como um indivíduo com qualidades e possa se perceber de uma forma diferente.

Para que isso aconteça, é preciso cinco passos com atividades pré-estabelecidas antes: 

  1. Estabelecimento da aliança terapêutica e avaliação
  2. Estratégias comportamentais com o objetivo de manejar sintomas, reações emocionais e atitudes impulsivas
  3. Discutir sobre os próprios sintomas com o paciente 
  4. Manejo das alucinações
  5. Avaliar quais são as pressuposições disfuncionais a respeito de si próprio e dos outros

Conclusão

Portanto, fica claro que alguns pacientes diagnosticados com depressão psicótica podem ter uma maior dificuldade para lidar com os problemas e podem, inclusive, ser incapazes de cuidarem de si mesmos.

Caso essa doença não seja devidamente tratada, a pessoa com quadro depressivo psicótico pode machucar a si mesma ou outras pessoas.

Por mais que perder o contato com a realidade seja uma situação muito difícil, o apoio da família e dos amigos é essencial para o processo de recuperação.

A depressão psicótica é um transtorno que tem tratamento e, se ele for seguido estritamente segundo a recomendação médica, com o auxílio do medicamento certo e da psicoterapia, há esperança para ter qualidade de vida novamente.

Não deixe de procurar um médico caso esteja sentindo os sintomas e comenta aqui embaixo se esse texto foi útil para você.

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